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'Capital da Macadâmia': como cidade de SP virou polo da noz e passou a exportar para 4 continentes

05 de September de 2026 0 leituras
'Capital da Macadâmia': como cidade de SP virou polo da noz e passou a exportar para 4 continentes

É época de colher macadâmia em Dois Córregos

Conhecida pelo sabor amanteigado e muito utilizada na indústria de cosméticos, a macadâmia movimenta a economia de Dois Córregos (SP) há mais de 40 anos. O município do interior paulista produz cerca de 2 mil toneladas da noz em casca por ano, segundo a administração municipal.

O impacto do cultivo é tão expressivo que a cidade celebra a produção com a Festa da Macadâmia, criada a partir da mobilização dos produtores com o apoio do poder público. A última edição do evento reuniu cerca de 50 mil pessoas, e a 14ª edição será realizada entre os dias 4 e 6 de setembro. (Confira a programação).

Dois Córregos (SP) é responsável por mais de 30% da produção nacional de Macadâmia. — Foto: Reprodução/TV TEM

A produção teve início com o produtor rural José Eduardo Camargo, de 76 anos, morador da cidade, filho de um agricultor de cana-de-açúcar e membro da Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC).

Em entrevista ao g1, José contou que conheceu a oleaginosa durante uma viagem de trabalho ao Havaí, na década de 1980. Ao retornar, decidiu iniciar o plantio da noz nas terras da família como alternativa à monocultura da cana.

“Buscando uma alternativa para a cana-de-açúcar, encontramos na cultura da noz-macadâmia a possibilidade de produzir um alimento muito saudável, saboroso e com uma agricultura sustentável”, afirmou.

Plantação de Macadâmia em Dois Córregos (SP) — Foto: Leornado Morya/Acervo pessoal

De acordo com a Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC), a produção da macadâmia é considerada sustentável porque as árvores podem viver e produzir frutos por mais de 100 anos. Além disso, o cultivo geralmente exige menos água em comparação com o de outras nozes.

Segundo o produtor, na época era difícil encontrar mudas no país e o custo era alto, em média US$ 10 por unidade. Por isso, ele iniciou a plantação com 250 pés.

Além de se dedicar ao cultivo e ao comércio, José criou um viveiro para produzir mudas para a própria empresa e para a expansão da cultura no país. Ele calcula que cerca de 70% das árvores plantadas no Brasil tenham saído do local.

Árvore de Macadâmia em plantaçãDois Córregos (SP) — Foto: Leonardo Morya/Acervo pessoal

O agricultor explicou que, além de abastecer o mercado brasileiro, também exporta o produto para países como Argentina, Chile, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, México e nações da Europa.

A introdução da macadâmia alterou a rotina da família de José e a dinâmica econômica de Dois Córregos.

“A oportunidade de trabalharmos juntos na construção de um novo negócio, não só para a nossa família, mas também para toda a cadeia de produção, como fornecedores, colaboradores e clientes, nos traz a alegria de estar contribuindo para o fortalecimento econômico e social da região”, destacou.

Capital Nacional da Macadâmia

O cultivo da oleaginosa passou a fazer parte da história, da cultura e da identidade local, o que rendeu a Dois Córregos o título de “Capital Nacional da Macadâmia”. Em agosto deste ano, a cidade ganhou até uma praça temática dedicada à noz.

Praça da Macadâmia em Dois Córregos (SP) — Foto: Karina Catto

A noz tornou-se um dos pilares da economia do município, que abriga toda a cadeia produtiva: produção de mudas, cultivo, processamento e comercialização.

Em entrevista ao g1, o prefeito de Dois Córregos, Alceu Antônio Mazziero, ressaltou a importância da atividade, que gera empregos diretos e indiretos, além de movimentar diversos setores e prestadores de serviços da cidade.

“Por onde se anda, é possível encontrar pés de macadâmia”, reforçou o prefeito.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de g1.globo.com.

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